Ela chorava baixinho enquanto arrumava a mala e a bolsa. Aquele choro quase inaudível, mas que incomoda mais que gritos e pancadaria.
Eu até me comoveria, se não estivesse com a razão. Cansei de ser sempre o compreensível, o bacana, o cara legal que deixa pra lá e esquece. Cansei de ser o babaca que corre atrás depois das brigas e fica responsável pelo bem estar do casal e pelo feng shui da casa.
Não. Dessa vez eu endureci e me posicionei. Ela saiu do quarto com um olhar acusador e infantil de menina birrenta.
- A culpa é sua - disse eu. - Você errou. Não vou abafar a coisa como das outras vezes.
- Mas... você não me ama? - perguntou ela, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
- Amo demais - falei. - Amo tanto que agora entendi que devemos nos afastar e analisar a coisa friamente.
- Você fala como se nossa relação fosse um experimento científico! Como pode ser tão frio?
- Cansei, Sabrina. Só isso. Eu sempre me desculpo, mesmo pelo que não fiz, pelo sossego e pela harmonia. Mas você? Você só quer saber do seu lado. Você nunca erra. Não quero mais ser o bandido das situações.
Ela suspirou.
- Então é assim?
- Sim - falei. - A gente se vê por aí.
Bateu a porta com violência quando saiu. Alguns minutos depois arrancou com o carro e sumiu da minha vida.
Fui até a geladeira e peguei uma cerveja. Se isso era uma vitória, por quê eu me sentia como um derrotado?
Liguei o rádio e lá estava o Fleetwood Mac tocando "Go your own way".
É isso, pensei. Pode ir, meu amor. Pode seguir seu caminho.
Vai ser bem solitário, eu sei, mas eu preciso reaprender a ser sozinho.
Ouvindo: "Go your own way", Fleetwood Mac.
Pelas despedidas e pelas vitórias. E pelo agridoce sabor das derrotas nossas de cada dia.
Eu até me comoveria, se não estivesse com a razão. Cansei de ser sempre o compreensível, o bacana, o cara legal que deixa pra lá e esquece. Cansei de ser o babaca que corre atrás depois das brigas e fica responsável pelo bem estar do casal e pelo feng shui da casa.
Não. Dessa vez eu endureci e me posicionei. Ela saiu do quarto com um olhar acusador e infantil de menina birrenta.
- A culpa é sua - disse eu. - Você errou. Não vou abafar a coisa como das outras vezes.
- Mas... você não me ama? - perguntou ela, os olhos vermelhos e inchados de tanto chorar.
- Amo demais - falei. - Amo tanto que agora entendi que devemos nos afastar e analisar a coisa friamente.
- Você fala como se nossa relação fosse um experimento científico! Como pode ser tão frio?
- Cansei, Sabrina. Só isso. Eu sempre me desculpo, mesmo pelo que não fiz, pelo sossego e pela harmonia. Mas você? Você só quer saber do seu lado. Você nunca erra. Não quero mais ser o bandido das situações.
Ela suspirou.
- Então é assim?
- Sim - falei. - A gente se vê por aí.
Bateu a porta com violência quando saiu. Alguns minutos depois arrancou com o carro e sumiu da minha vida.
Fui até a geladeira e peguei uma cerveja. Se isso era uma vitória, por quê eu me sentia como um derrotado?
Liguei o rádio e lá estava o Fleetwood Mac tocando "Go your own way".
É isso, pensei. Pode ir, meu amor. Pode seguir seu caminho.
Vai ser bem solitário, eu sei, mas eu preciso reaprender a ser sozinho.
Ouvindo: "Go your own way", Fleetwood Mac.
Pelas despedidas e pelas vitórias. E pelo agridoce sabor das derrotas nossas de cada dia.




