24.6.11

Poema desnecessário

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E hei de dizer a todos que o amor é um sentimento que te amaldiçoa
- Atraiçoa –
Com um olhar assim, meio de canto, e um sorriso dissimulado.

E haverão de concordar comigo os poetas, os cantores e os que tocam algum instrumento musical;
E também sambistas de várias gerações, que cantam tristezas,
- Como queria mestre Vinícius.
E professores, e adolescentes, e donas de casa com suas novelas,
- E escritores, é claro.

Porque o amor é uma invenção e uma mentira, estilo literário, estilo musical;
Mas como todo monstro, volta-se contra seu criador, e sendo-lhe maior,
Mata-o.

Eis o que é o amor, meninos e meninas:
Ideia, conceito, energia-pensamento-sentimento transmutada em sinapses,
Sinais, signos, expressões, suor, toque, hormônios, feromônios.

Desejo.

E desde que o amor é exato – já diria Djavan,
Transborda, transborda-se, sangra tal qual açude no inverno.
Jamais poderá ser contido num recipiente finito, ou barrado, ou impedido.

E eis que amar afigura-se impossível, tanto quanto é impossível ancorar a alma na matéria.
Então amar afigura-se como exercício de fé,
E de fé eu não entendo.

Palavras vazias então.


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