31.5.11

Quem consegue se livrar de um grande amor?

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Quem consegue, realmente, se livrar de um grande amor?
Cada dor, cada pontada, cada arrepio?
Os cheiros e os gostos, os toques, as carícias,
Coisas tão importantes no momento
Trancafiadas num porão cheio de pó
Dum recesso suburbano da memória.

“Eu devia tê-la beijado aquela tarde”, penso eu, às vezes.
A nostalgia não foi convidada, mas é bem vinda.
Dá um gostinho marrom-amargo na boca,
E um pedacinho de arrependimento.
Você nem compara com as maravilhas que conseguiu, pois sabe
Que não se compara uma vida de amor ao amor de uma vida.

Não dá para trocar o que se tornou com o que podia ser -
Não se deve alimentar os mortos.
Mas não é pecado andar pela Conselheiro Tristão vez ou outra,
Escutar novamente sua sabedoria muda, seus silêncios profundos.

Quantos passos, quantas coisas, quanta gente.
Ela marcou minha vida de milhões de maneiras,
E se foi.
Nós fomos. Mundos paralelos, você sabe
A desculpa que se dá quando não dá, não deu.

A música me trouxe a lembrança de seu cheiro, de seu gosto, seu abraço, seu calor...
E eu me entreguei.
Por um instante apenas, sem culpa, o volume no máximo,
Vou lembrar daquela tarde e das poesias que fiz para ela.
E perceber que já não dói. A ferida fechou.

Adeus. Até logo.

Como é doce o amargor de um amor que não se consumou.

*     *     *

Essa é velhinha, pra complementar a sessão Nostalgia.

Abraços do Ladrão de Almas, que - algumas vezes - teve seu Coração Roubado.

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