3.10.09

A romanzeira, ou a árvore da discórdia.

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Após um sonho intenso, meio acordado, meio dormindo
Percebo em meu jardim a romanzeira a se partir.
Lógico, parto em seu partido, e com madeiras e facas, martelos e ferros,
Firo novamente a terra em busca de segurança e estabilidade.

Amarra aqui, aperta ali, suporta acolá,
Eis que a romanzeira sustenta novamente, e, embora partida,
Segue seu caminho rumo ao céu, tal qual um zigurate natural.

Que há em mim, para me vangloriar de algo tão cruel?
Se a planta não suporta seu próprio peso, e decide cair e morrer,
Por que não deixar que siga seu caminho natural para o céu das Romãs?
Quem sou eu para salvar que forma de vida seja? Eu, o filho dos três macacos -
Cego, surdo e mudo?

Que sei eu - já diria meu amigo Montaigne - para fazer algo?
O futuro inexiste - um conjunto infinito de acasos intercruzados com possibilidades
E eu, enraizado num presente selvagem e tedioso,
Cercado de pessoas tediosas
Eu próprio, tedioso e entediado.

Uma manhã no jardim suscita tantas filosofias quanto um caso de amor
ou a morte de um Deus de Sal.

E eu amarrei a romanzeira e dei-lhe de beber, e pedi para que ficasse conosco um pouco mais.
Ela, esnobe, não me respondeu. Nada mais justo, penso eu.

Por que nos apegamos tanto àquilo que nunca foi nosso?

- Por via das dúvidas, fiz uma muda de romã no jardim.
O seguro morreu de velho.

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