“E essa sempre fora uma de suas grandes frustrações. Seu olhar me era transparente, facilmente decifrável, por vasto e profundo fosse. Sempre claro, sempre sincero, com correntes constantes e duradouras e confiáveis. Mas meu olhar, ah, esse era escuridão dura e densa, impenetrável mistério/segredo. Proibida a todos, vedada mesmo a ela, a quem eu amava, estava a verdade que eu escondia tão firme/fortemente.
E talvez ela jamais soubesse. Porque meus olhos treinavam esse esconder desde muito cedo. E ninguém tinha o poder de ver através da janela, e ninguém podia perceber minha alma ali atrás daquela pupila negra.
Nem eu, quando no espelho mirava buscando uma pista sincera de quem eu era”.
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