27.5.10

Nalgum Lugar - e. e. cummings

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Posto aqui poesia alheia, pois a minha me parece insossa e estéril. Mas não é poesia de qualquer um: 


Senhoras e Senhores, e. e. cummings.


Edward Estlin Cummings - usualmente abreviado como e. e. cummings, em minúsculas, como o poeta assinava e publicava - (Cambridge, Massachusetts, 14 de outubro de 1894 — North Conway, Nova Hampshire, 3 de setembro de 1962) foi poeta, pintor, ensaísta e dramaturgo estadunidense. Tendo sido, principalmente, poeta, é considerado por Augusto de Campos um dos principais inovadores da linguagem da poesia e da literatura no século XX. (Cortesia: Wikipédia)


Esta poesia que vos apresento é uma das mais belas que já tive o prazer de ler. Conheci-a através do fantástico Zeca Baleiro, que a musicou, utilizando a belíssima tradução feita pelo já citado Augusto de Campos.


Segue a poesia.


Nalgum Lugar - e. e. cummings


nalgum lugar em que eu nunca estive,alegremente além
de qualquer experiência,teus olhos têm o seu silêncio:
no teu gesto mais frágil há coisas que me encerram,
ou que eu não ouso tocar porque estão demasiado perto



teu mais ligeiro olhar facilmente me descerra
embora eu tenha me fechado como dedos,nalgum lugar
me abres sempre pétala por pétala como a Primavera abre
(tocando sutilmente,misteriosamente)a sua primeira rosa



ou se quiseres me ver fechado,eu e
minha vida nos fecharemos belamente,de repente,
assim como o coração desta flor imagina
a neve cuidadosamente descendo em toda a parte;



nada que eu possa perceber neste universo iguala
o poder de tua imensa fragilidade:cuja textura
compele-me com a cor de seus continentes,
restituindo a morte e o sempre cada vez que respira



(não sei dizer o que há em ti que fecha
e abre;só uma parte de mim compreende que a
voz dos teus olhos é mais profunda que todas as rosas)
ninguém, nem mesmo a chuva,tem mãos tão pequenas.



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Eu fico que não posso quando leio essa poesia. Emociono-me além da medida, como se a poesia tivesse o dom de reacender em mim algo que eu considerava perdido, ou morto.


Sei lá, às vezes a vida parece não ter razão... (acho que já vi isso em algum lugar... se tu souber, me avisa que eu cito a fonte, agora eu não lembro não).


Para tu, que queira ouvir a música com o sempre fantástico Zeca Baleiro:


http://www.4shared.com/audio/k--NpSVd/Zeca_Baleiro_-_07_-_Nalgum_lug.htm


Abraços musicais roubados,


Michel Euclides

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